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14 de janeiro de 2010

Memórias Póstumas em duas adaptações

É dispensável a apresentação de Machado de Assis e sua importância para nossa literatura. Suas maiores obras são de conhecimento geral, ao menos seus títulos, e adaptadas inclusive para a televisão.

Uma de suas obras famosas é Memórias Póstumas de Brás Cubas, em que Brás nos diverte com suas lembranças e críticas à sociedade, tanto pelo conteúdo como pela construção da narrativa, recheada de inovações na literatura, como a complexa figura do narrador, a utilização de capítulos curtos, a presença da metalinguagem, entre outras.

Justamente essas inovações contribuem para uma pitada de interesse no modo pelo qual elas seriam transpostas para o cinema. Sugiro aqui que se analise esses aspectos em duas delas: Memórias Póstumas do diretor André Klotzel, de 2001, e Brás Cubas, de 1985 e com direção de Júlio Bressane.



A adaptação do diretor Júlio Bressane torna-se de interpretação mais trabalhosa, por conta do caráter experimental da obra. Desde o início do filme, com uma cena de uma caveira sendo percorrida por um microfone, até seu desenrolar é possível perceber inúmeras relações diretas com aspectos que aparecem claramente no livro, “cobrando” a participação do espectador, semelhante a Machado.

Memórias Póstumas é uma recontagem do enredo do livro de inspiração que segue o texto de modo praticamente integral. O humor também é uma das características que destoam na apresentação do filme, que personifica o narrador, que chega até a interagir com os outros personagens em cena.



As duas adaptações possuem características diversas, uma vez que cada uma figura como uma leitura particular da história original. De qualquer forma, independente da que você opte por assistir, dê uma atenção especial para o modo como os aspectos que citei acima são apresentados.

Assistir aos filmes funcionará não apenas como um modo de não ler o livro, como se ouve por aí, mas sim como análise da relação entre cinema e literatura, o que com certeza acrescentará à você mais do que apenas substituir o livro pelo filme.


Katrym

12 de janeiro de 2010

AVATAR, de James Cameron


O sucesso do filme Avatar, já chamado de “romantismo idiota” por Luiz Felipe Ponde, em crítica do dia 28 de dezembro de 2009, na Folha de São Paulo, é compreensível. Trata-se de uma superprodução com todos os elementos grandiosos que arrastam multidões aos cinemas contemporâneos: oposição simplista entre o bem e o mal, um herói dividido entre o interesse e a honra, o amor dificultado pelo fato de os amantes pertencerem a espécies diferentes, entre outros clichês que, quando bem tratados, realmente são deliciosos.

Mas há algo mais, uma certa inquietação criada por uma potencialidade real. E se imaginarmos possível que um paraplégico construa para si, por meio da mais alta tecnologia biológica, um corpo perfeito e saudável? Isso nos leva ao mote mais criativo do filme: para enfrentar o planeta Pandora, seus perigos e seus nativos, os humanos, altamente desenvolvidos no plano da ciência e da técnica, criam em laboratório o que se chama aí de “avatar”, corpos compostos pelo DNA dos nativos do planeta Pandora combinado com DNA humano. É, eu sei, é de arrepiar. Para esses corpos perfeitos, ágeis e fortes, é transportada a consciência dos humanos, que a partir daí estarão prontos a entrar em Pandora e buscar, ora um acordo comercial – há uma riqueza mineral sob o solo de Pandora que muito interessa aos humanos – ora a promoção de um massacre necessário para que a coisa toda saia mais fácil.

Estamos realmente diante de um enredo altamente pós-colonial. Entendendo pós-colonial como um conceito capaz de dar conta das narrativas em que os colonizadores se dão mal. Como os nativos de Pandora são super gente boa, antenadíssimos com a natureza e sua misteriosa força do bem, é claro que os humanos malvados serão expulsos pelos nativos, mas só depois de alguns humanos, esses do bem, cederem sua inteligência e sagacidade à causa nativa. Tudo isso se dará por meio da moralidade do amor, pois o herói, Jake Sully, vai se apaixonar pela nativa que o salva de um primeiro ataque das feras de Pandora e, penalizada, o leva até seu pai, o chefe da tribo local (temos aí uma relação intertextual inegável com o romance Iracema, de José de Alencar). Creio que o roteirista do filme é um usuário do site estante virtual, portanto pôde adquirir o clássico brasileiro facilmente e nele se inspirar.

Disso tudo concluímos que a natureza é boa, a maioria dos humanos é má, muito má, embora alguns sejam bons, e os habitantes de outros planetas são bons também, desde que nesses planetas se manifeste a força da natureza que, pelo visto, é interplanetária.

Mas voltemos à inquietação citada acima, o mote de “avatar” é a possibilidade de abandonar o corpo falho e fraco e criar um outro, maior, mais saudável, mais forte e mais bonito. O transporte para esse corpo se dá por escolha consciente, o que nos afasta de Matrix... A literatura e o cinema sempre nos deram a possibilidade de subir sempre e novamente ao cavalo magro de D’Artagnan e irmo-nos às aventuras, mas em Avatar a proposta é literal e há um ladinho da nossa mente que fica pensando que com toda essa tecnologia que há por aí talvez isso seja mesmo possível em breve! Claro, se a indústria estética, não a artística, não se apropriar antes dessa tecnologia para resolver problemas de celulite e gorduras localizadas.


Silvana Oliveira


12 de outubro de 2009

Projeto Literatura e Cinema em evento uruguaio


Aconteceu, de 5 a 9 de outubro, na Universidad de La República, em Montevideo, no Uruguai, o X Congreso Iberoamericano de Extensión Universitaria - Extenso 2009 (http://www.extension.edu.uy/extenso/inicio), evento cujo objetivo era reunir e difundir as experiências de programas de extensão universitária de toda a América Latina. O tema desta edição era "Extensión y Sociedad" e tinha como foco central destacar não apenas a importância acadêmica e educacional dos projetos de extensão universitária, mas, também, as profundas influências que os mesmos têm no contexto social, oferecendo oportunidades, conhecimento, desenvolvimento e difundindo o saber construído no ambiente universitário.
O Projeto Literatura e Cinema na Formação Humana contou com a participação das docentes Silvana Oliveira e Rosana Apolonia Harmuch, que apresentaram sua comunicação no dia 6 de outubro, no Espacio Cultural de Extensión Universitaria.



Na sessão de perguntas e respostas que se seguiu à apresentação, o projeto despertou o interesse de representantes uruguaios e também de outras universidades latinoamericanas e brasileiras.
Nossa participação nesse importante congresso também nos trouxe a oportunidade de travar conhecimento com os mais destacados projetos de extensão atualmente em desenvolvimento na América do Sul, além de nos colocar em contato com uma ampla oferta de palestras, conferências e atividades oferecidas por profissionais de renome mundial.
Tudo isso contribuiu, é claro, para nosso aprimoramento como docentes e como participantes de um projeto que tem como meta levar à comunidade em geral e aos jovens, em particular, novas visões sobre o cinema e a literatura.

Publicado por: Rosana Harmuch

25 de agosto de 2009

Cinema: uma arte em movimento


O cinema caracteriza-se como uma arte em constante movimento e renovação desde seu surgimento.Quando surgiu impressionava pela simples capitação de imagens funcionando como mero registro,depois Melies inova com o inicio do cinema narrativo.Mas isso ainda não era o bastante,então eis que aparece Griffith que apesar dos problemas éticos do seu filme não pode deixar ser desconsiderado como marco inicial do cinema americano em termos de estrutura do cinema.Quase no mesmo período surgem novas tendências ao redor do mundo.Na Alemanha o expressionismo,com o uso de cenários com obras-primas como a última gargalhada e outros.Na Rússia os formalistas como Einsenstein revolucionam a utilização de cortes e edição.

Mas o cinema continuava a avançar com a tecnologia.O advento do som marcou a história introduzindo a voz como elemento essencial.Mas muitos negaram esse advento ferozmente como Chaplin que combateu o som, realizou seu protesto através da realização de “luzes da Cidade” no ano de 1931,um filme mudo em pleno período sonoro,mesmo assim algum tempo depois esse critico acirrado do som rendeu-se a ele,realizando filmes como “O Grande Ditador”.considero esse um dos inúmeros exemplos de que como o cinema é uma arte em constante movimentação.

Ninguém melhor do que Hollywood soube tirar proveito dessa inovação. O som inaugura o período áureo do cinema, o denominado cinema clássico americano,marcado por uma estrutura narrativa com características próprias herdadas de Griffith.Este tipo de narrativa marcada por uma linearidade com inicio,meio e fim.Mesmo assim alguns cineastas ultrapassaram as barreiras das convenções narrativa,criando características próprias em suas obras como Billy Wilder,Alfred Hitchcock,John Ford e Willian Wiler.

Mas quem diria que um jovem de 25 anos em se primeiro filme iria revolucionar o cinema, Orson Welles com seu “Cidadão Kane”,mudou a historia do cinema ao quebrar com as convenções lineares do cinema clássico ao utilizar o flash-back para narrar e não justificar uma ação de uma determinada personagem,ou com uso da profundidade de campo.Cidadão Kane é um marco na história do cinema,tornando-se um dos filmes mais influentes,até os dias atuais.Muitos dos cineastas que vieram depois tiveram em Welles um mestre,inclusive Stanley Kubrick,que soube como ninguém aplicar os ensinamentos de seu professor.

O cinema que no seu início era considerado uma mera atração de feiras,confirmou-se como arte com linguagem própria.A invenção sem futuro como julgavam seus inventores, conquistou o mundo e chegou a mais de um século de existência.Longe de ter um fim,e com os constantes avanços tecnológicos é difícil prever quais serão os novos rumos dessa arte.

No ano de 1995 data em que o cinema completou um século de existência,uma revista publicou uma reportagem intitulada “o cinema nas palavras de quem o faz”,essa reportagem trazia depoimentos e declarações de cineastas,roteiristas,atores e críticos,dentre os vários depoimentos vale a pena ressaltar o depoimento do cineasta Francis Ford Coppola.quando pediram a ele para dar sua opinião pessoal,ele deu a seguinte opinião “para mim,a grande esperança é que agora,com essas coisas que estão acontecendo,como os gravadores de vídeo de 8 mm,algumas pessoas que normalmente não fariam filmes passem a faze-los.Algum dia,uma garota gordinha de Ohio será o novo Mozart e fará um lindo filme com a camerazinha do seu pai.Daí o assim chamado profissionalismo terá sido destruído,e o cinema passará a ser uma forma de arte.Essa é minha opinião”.Esta opinião era a única a fazer algum tipo de previsão quanto ao futuro do cinema,já é possível observar um pouco dessa previsão tornando-se concreta.Por isso definir algo como possível ou impossível na arte cinematográfica seria uma afirmação sem sentido.





Publicado por Andressa

12 de maio de 2009

"Literatura e Cinema na formação humana" participa do V CIEL

Olá pessoal!

Hoje resolvi fazer uma postagem diferente. Gostaria de falar sobre a participação dos membros do nosso projeto no V CIEL - Ciclo de Estudos em Linguagem que ocorreu nos últimos dias 28,29 e 30 de abril na UEPG.


Essa quinta edição contou com a participação de uma cineasta na palestra de abertua, Flávia Seligman, que leciona na UNISINOS - Universidade do Vale do Rio dos Sinos. Além disso, houve uma mostra de filmes durante todo o evento que apresentou documentários como "Sou eu mesmo", sobre a vida e obra de Mário Quintana, e "Certos Olhares" e "Ilhas Urbanas", de direção de Flávia Seligman.

Todos nós apresentamos comunicações sobre o tema de Literatura e Cinema através de duas comunicações coordenadas, que foram assistidas por um grande número de participantes. Segue abaixo a relação dos trabalhos apresentados por cada um de nós:

Rosana Apolonia Harmuch:  BENTO DE MACHADO E GODOFREDO DE EÇA: NARRAR PARA SE SALVAR

Bruno Scuissiato: A FALECIDA DE NELSON RODRIGUES, SEGUNDO LEON HIRSZMAN - Orientadora: Rosana Apolonia Harmuch

Katrym A. B. dos Santos: A ADAPTAÇÃO CINEMATOGRÁFICA “MEMÓRIAS PÓSTUMAS”, DE ANDRÉ KLOTZEL
Orientadora: Rosana Apolonia Harmuch

Angelis Cristina Soistak: REALISMO E CRÍTICA SOCIAL EM PERSUASÃO, DE JANE AUSTEN

Marly Catarina Soares:"A HORA DA ESTRELA" DE CLARICE LISPECTOR E DE SUZANA AMARAL

Amanda Cieslak Kapp: TRISTE FIM DE POLICARPO QUARESMA E O CONTEXTO HISTÓRICO DOS PRIMEIROS ANOS DA REPÚBLICA.
Orientadora: Marly Catarina Soares

Kleber A. B. dos Santos: AS DIFERENÇAS ENTRE A ESCRITA E A IMAGEM NO UNIVERSO DO LIVRO 1984, DE GEORGE ORWELL
Orientadora: Silvana Oliveira

Silvana Oliveira: LIVROS, FILMES E FANTASMAS

Ana Carla Vieira Bellon: A RETRATAÇÃO DO CONTO DE FADAS NA OBRA STARDUST, DE NEIL GAIMAN E EM SUA ADAPTAÇÃO AO CINEMA.
Orientadora:Marly Catarina Soares

Assim, é possível perceber que o nosso projeto, além de extensão, também trabalha com a pesquisa, enriquecendo nossa formação acadêmica de várias formas. Quando os anais do V CIEL forem publicados,  quem tiver interesse poderá dar uma olhada nos trabalhos realizados por nós!

Até a próxima!

Katrym 

25 de março de 2009

O ano em que meus pais saíram de férias

Cresci assistindo a série Castelo Rá-tim-bum na TV Cultura e um dos nomes que guardo na memória  é "Cao Hamburger", talvez pela estranheza que sentia ao ler esse nome ou porque ficava pensando se ele realmente existia,  o fato é que sempre  guardei a cena dos créditos finais em que ele aparecia.
E foi justamente esse diretor que adaptou a série  tão adorada por mim para o cinema em 1999, e que também é responsável pela direção do filme que gostaria de sugerir hoje: O Ano em que meus pais saíram de férias.


O filme retrata o período da ditadura no Brasil sob a ótica de um menino de 12 anos, Mauro, que vê seus pais  "tirando férias" sem poder levá-lo, e deixando-o na casa do avô. Enquanto se adapta a essa nova realidade, ele convive com a euforia  que a Copa de 70 causa em todas as pessoas que convivem com ele.
A sutileza com que os temas são tratados, entre outros fatores, faz do filme uma ferramenta interessante para ser utilizada em aulas. Além disso, a visão infantil que Mauro apresenta pelas coisas faz qualquer um, mesmo tendo passado pela infância há muito tempo, se identificar com ele.
Visite o site oficial do filme e obtenha maiores informações acerca dessa obra significativa e que aborda um tema já tão retratado, de um modo diferente: www.oano.com.br

Katrym 


















2 de março de 2009

HQ no cinema: Watchmen

Há cerca de 5 anos, entraram em moda as adaptações de quadrinhos para o cinema. Foram várias: Homem aranha 1, 2, e 3, Batman, X-man, V de Vingança, Constantine, 300. Nesta semana, mais uma dessas adaptações estréia nos cinemas: Watchman, um dos mais esperados do ano.

Esta é uma série de quadrinhos escrita por Alan Moore, ilustrada por Dave Gibbons e publicada pela DC Comics nos anos de 1986 e 1987. Seu caráter alternativo, juntamente com sua temática mais madura e menos superficial, o tornou um marco importante na história dos quadrinhos e passou a ser chamado de “Graphic novel” (romance visual).

A trama de Watchmen é situada nos EUA de 1985, um país no qual aventureiros fantasiados seriam realidade. O país estaria vivendo um momendo delicado no contexto da Guerra Fria e em vias de declarar uma guerra nuclear contra a União Soviética. A mesma trama envolve os episódios vividos por um grupo de super-heróis do passado e do presente e os eventos que circundam o misterioso assassinato de um deles. Watchmen retrata os super-heróis como indivíduos verossímeis, que enfrentam problemas éticos e psicológicos, lutando contra neuroses e defeitos, e procurando evitar os arquétipos e super-poderes tipicamente encontrados nas figuras tradicionais do gênero. Isto, combinado com sua adaptação inovadora de técnicas cinematográficas, o uso frequente de simbolismo, diálogos em camadas e metaficção, influenciaram tanto o mundo do cinema quanto dos quadrinhos.

A adaptação, apesar de ser a mais esperada do ano, não alcançou unanimidade dentre os críticos em sua premiere mundial que aconteceu em Londres na semana passada. O filme, dirigido por Zack Snyder (300), conta com muita ação, sangue e sexo. A música e os efeitos especiais desempanham papel importantíssimo, da mesma forma que aconteceu em 300. Os críticos admitiram, porém, que o filme não decepcionará os fãs de Watchmen e poderá agradar também aos espectadores que não tiveram acesso aos quadrinhos, mas deixa a desejar depois de tanta expectativa, gastos e disputas entre os estúdios Fox e Warner.

Aguardemos! Estréia dia 6 nos cinemas.

Angelis

7 de fevereiro de 2009

Tela Alternativa 2009

A partir do dia 16 de fevereiro estarão abertas as inscrições para a edição deste ano do projeto "Tela Alternativa" , que visa exibir e contextualizar filmes tanto na História como na História do Cinema, com a coordenação do professor doutor da UEPG Antônio João Teixeira.

As exibições acontecem sempre às terças-feiras, às 19h30 min, na sala B do Teatro Ópera, com comentário prévio do professor e posterior discussão sobre aspectos relevantes do filme, de forma que todos podem participar.

A promoção é do Departamento de Línguas Estrangeiras da UEPG juntamente com a Secretaria Municipal de Cultura. Maiores informações no Delin ou através do telefone 3220-3372.

Confira a programação:


FILMES DE MARÇO

3 de março - O tesouro de Sierra Madre (1948, 126 min.) – John Huston. A textura do filme transpira a aridez poeirenta da paisagem mexicana, de modo que, ao assisti-lo, o público quase consegue sentir a areia entre os dentes; e os atores – exilados do ambiente confortável do estúdio e tendo que enfrentar as intempéries – são obrigados a oferecer interpretações tensas e irascíveis. (Schneider, 1001 filmes para ver antes de morrer.)

10 de março - Crepúsculo dos deuses (1950, 110 min.) – Billy Wilder Uma melindrosa cinquentona, cuja tentativa de permanecer jovem a faz parecer ter mil anos, Norma, vive em uma mansão decadente no Sunset Boulevard, realizando um funeral à meia-noite para seu macaco de estimação, rascunhando um roteiro impossível de se produzir e sonhando com um recomeço inviável como Salomé. De prontidão, há um mordomo sinistro, que havia sido seu diretor favorito. (Schneider, 1001 filmes para ver antes de morrer.)

17 de março – O deserto vermelho (1964,120 min.) – Michelangelo Antonioni. Talvez o mais extraordinário e hipnótico filme de Antonioni e, ao mesmo tempo, impossível de resumir. Monica Vitti é a esposa neurótica de um engenheiro eletrônico, vagando confusa por uma paisagem industrial moderna, que Antonioni coloriu do modo mais surpreendente e original que se possa imaginar. Esteticamente, o filme é uma festa, mas não deixe que isso o afaste da complexidade da trama e das interpretações. (DP, Time Out Film Guide)

24 de março – A primeira noite de tranquilidade (1972, 126 min.) – Valério Zurlini. Conhecido como “O Poeta da Melancolia”, Zurlini teve uma carreira cinematográfica magra, mas suficiente para mostrar muita qualidade, como em A Primeira Noite de Tranquilidade. O protagonista, Dominici, é um professor de literatura, um intelectual introvertido, que fala pouco e fuma pelos cotovelos. O cenário do filme funciona como um reflexo do estado de espírito amargurado e melancólico do personagem. Os locais são vazios, desgastados, com um pingo de decadência. A fotografia fortalece essa idéia, com uma iluminação delicada, que realça essa percepção desolada, fria. O diretor pega emprestado o ideal artístico do expressionismo, que versa sobre o mundo exterior como um reflexo do interior. (Hugo Viana – moviesketch)

31 de março - O milagre de Anna Sullivan (1962, 106 min.) – Arthur Penn. Patty Duke, como a jovem surda e cega de nascença, e Anne Bancroft, como a governanta teimosa que a ajuda a superar sua incapacidade de falar, lançam fagulhas uma contra a outra com uma violência e honestidade emocional raramente vistas no cinema, iluminando suas solidões, assim como suas vulnerabilidades e puro medo. (GA, Time Out Film Guide)


FILMES DE ABRIL

7 de abril - O garoto selvagem (1970, 83 min.) – François Truffaut. Em 1798, um garoto foi encontrado vivendo nas florestas do sul da França. Estava nu, sujo e não sabia falar. Esse garoto-animal foi protegido pelo Dr. Jean Itard, que começou a ensinar-lhe comportamento social. Truffaut e o garoto que interpreta Viktor transformam a história num dueto de afeição paternal e lamento por um paraíso perdido. (David Fear, Time Out New York)

14 de abril – Ser e ter (2002, 107 min.) – Nicolas Philibert. Este filme maravilhoso do aclamado documentarista francês Philibert mapeia meio ano na vida de Georges Lopez e as crianças que ele ensina numa pequena escola de uma única turma em Auvergne. Com Jojo e as crianças menores, vemos mentes se desenvolver numa velocidade surpreendente; com os mais velhos Julien e Olivier, um pitada de ética começa a existir, enquanto a tímida Natalie lembra quão doloroso pode ser o começo da sensibilidade adolescente. É um estudo espirituoso, altamente comovente, sobre a dedicação, inteligência e bondade que deixam sua marca. Você provavelmente não verá um filme tão belo em muito tempo. (GA, Time Out Guide)

28 de abril – Quem tem medo de Virginia Woolf? (1967, 134 min.) – Mike Nichols. Filmado em preto-e-branco, com um belo roteiro de Ernest Lehman que manteve muitos dos diálogos originais, a direção de Nichols preserva a essência da obra de Edward Albee. George é professor de História em uma faculdade e Martha, a filha do reitor. Eles convidam um jovem professor e sua esposa para um fim de noite cheio de joguinhos mentais. O filme decididamente mereceu os cinco prêmios da Academia que recebeu. É com certeza uma das melhores adaptações de um original do teatro transposto às telas. (Schneider, 1001 filmes para ver antes de morrer.)


FILMES DE MAIO

5 de maio - Becket (1964, 150 min.) – Peter Glenville. Becket representa uma mistura magistral de drama sensível e esplendor visual. Embora haja os cenários magníficos e luxuriantes que reconstroem as Ilhas Britânicas como elas eram em eras passadas, eles sempre servem de pano de fundo para as idéias e as caracterizações, que são o foco do filme. Com quase três horas de duração, Becket provou que um filme poderia ser envolvente sem, por um lado, tornar-se teatral demais, ou, por outro, introduzir seqüências de ação supérfluas, como tantos espetáculos do final dos anos 50 e começo dos 60 tinham feito. Realizando o filme como um estudo de idéias e homens sempre em conflito, Hal Wallis produziu um dos mais belos, inteligentes e importantes filmes de época da década. (Douglas Brode, The films of the sixties)

12 de maio – Dois filmes: Nós que aqui estamos, por vós esperamos (1999, 72 min.) – Marcelo Masagão. Nós que aqui estamos, por vós esperamos é um filme-memória do século XX, a partir de recortes biográficos de pequenos e grandes personagens que por aqui passaram. 95% das imagens são de arquivo: filmes antigos, fotos e material da TV. Não há locução, nem depoimentos orais. A sonorização é toda música de Wim Mertens, efeitos sonoros e silêncio. O filme ganhou 17 prêmios nacionais e internacionais e ficou oito meses em cartaz em SP e Rio. (site 2001video)

Notícias de uma guerra particular (1999, 56 min.) – João Moreira Salles e Kátia Lund Eleito um dos melhores filmes brasileiros contemporâneos pela Revista de Cinema e vencedor da competição nacional de documentários do festival É Tudo Verdade, Notícias de uma guerra particular é um amplo e contundente retrato da violência no Rio de Janeiro. Flagrantes do cotidiano das favelas dominadas pelo tráfico de drogas alternam-se a entrevistas com todos os envolvidos no conflito, entre traficantes e policiais - incluindo moradores que vivem no meio do fogo cruzado e especialistas em segurança pública. A realidade da violência é apresentada sem meio-tons e da forma mais abrangente possível, tornando patente o absurdo de uma guerra sem fim e sem vencedores possíveis. (site 2001video)

19 de maio – Ônibus 174 (2002, 130 min.) – José Padilha. No dia 12 de junho de 2000, um ônibus cheio de passageiros é seqüestrado no Rio de Janeiro, em plena luz do dia. O seqüestrador, Sandro do Nascimento, aterroriza suas vítimas durante quatro horas e meia enquanto todo o país assiste ao drama levado ao vivo pela TV brasileira. Baseado numa extensa pesquisa sobre a cobertura do crime, com entrevistas e documentos oficiais, ÔNIBUS 174 é uma investigação cuidadosa do seqüestro - focalizando Sandro do Nascimento, sua infância, e como ele inevitavelmente estava destinado a se tornar um bandido. (site 2001video)

26 de maio - Jogo de cena (2006, 107 min.) – Eduardo Coutinho. Atendendo a um anúncio de jornal, oitenta e três mulheres contaram suas histórias de vida num estúdio. Em junho de 2006, vinte e três delas foram selecionadas e filmadas no Teatro Glauce Rocha. Em setembro do mesmo ano, atrizes interpretaram, a seu modo, as histórias contadas pelas personagens escolhidas. O que está em discussão é o caráter da representação. Neste filme, o jogo a ser jogado inclui pelo menos três camadas de representação: primeiro, personagens reais falam de sua própria vida; segundo, estas personagens se tornam modelos a desafiar atrizes; e, por fim, algumas atrizes jogam o jogo de falar de sua vida real. (André Nigri, no site 2001video)


FILMES DE JUNHO

2 de junho – O criado (1963, 112 min.) – Joseph Losey. O roteiro de Pinter, tipicamente elíptico e oblíquo, e a direção vibrante e cáustica de Losey oferecem uma análise cínica das relações de classe, sexo e poder na Londres dos anos 60. Tony é um jovem e afetado solteiro de classe alta que contrata o criado Barrett. Aos poucos, o servo passa a dominar toda a existência do patrão e o destrói lentamente. A relação de submissão é alterada gradualmente, mas ambos continuam presos à rede de exploração mútua, sensação acentuada pela câmera de Douglas Slocombe, que explora sinuosamente o espaço claustrofóbico da casa avarandada e a transforma em uma gaiola luxuosamente decorada. Engraçado, sinistro e provocante, O criado mantém o poder de causar desconforto. (Schneider, 1001 filmes para ver antes de morrer)

9 de junho - O discreto charme da burguesia (1972, 102 min.) – Luís Buñuel. O discreto charme da burguesia, a obra-prima cômica de Luís Buñuel – sobre três casais prósperos que tentam, mas nunca conseguem, sentar e comer juntos – é possivelmente o mais bem-acabado e executado de todos os seus filmes franceses da última fase. (Schneider, 1001 filmes para ver antes de morrer)

16 de junho - São Bernardo (1972, 113 min.) – Leon Hirszman. Baseado no romance de Graciliano Ramos e com trilha sonora de Caetano Veloso, o filme acompanha a trajetória de Paulo Honório, um modesto caixeiro-viajante que enriquece, valendo-se de métodos violentos, compra a fazenda São Bernardo e contrata casamento com Madalena, a esclarecida professora da cidade. O conflito se estabelece quando Madalena não aceita ser tratada como propriedade. Com atuações marcantes de Othon Bastos e Isabel Ribeiro, o filme, que estreou em 1972, tornou-se um clássico do cinema brasileiro. (site 2001video)

23 de junho - Tudo bem (1978, 110 min.) – Arnaldo Jabor. Vencedor dos troféus Candango de melhor filme e melhor ator coadjuvante (Paulo César Peréio) no Festival de Brasília de 1978, Tudo bem acompanha as reviravoltas na vida de uma família da classe média carioca, que resolve reformar seu apartamento em Copacabana e fica "cercada de Brasil por todos os lados", como definiu o próprio Jabor. No apartamento em reforma convivem o casal (Fernanda Montenegro e Paulo Gracindo), seus filhos (Regina Casé e Luiz Fernando Guimarães), as empregadas (Zezé Mota e Maria Sílvia), além dos pedreiros vividos por Stênio Garcia e José Dumont, entre outros. (Folha Online)

30 junho - Edukators (2006, 127 min.) – Hans Weingartner. Do diretor alemão Hans Weingartner (o mesmo de O Som das Nuvens), Edukators é um filme político que debate e critica a mentalidade capitalista e suas conseqüências no mundo contemporâneo. O filme, que foi muito discutido no circuito alternativo nacional e internacional, recebeu uma indicação ao European Film Awards em 2004 de melhor ator para Daniel Bruhl e fez sucesso no Festival de Cannes 2004. Com um roteiro nada previsível, atuações incomparáveis (principalmente por parte de Daniel Bruhl e Julia Jentsch), trilha sonora rica (destaque para a versão de Jeff Buckley para “Hallelujah”) e com um final espetacular e infalível, Hans Weingartner mostra a força do cinema alemão contemporâneo. (Sula Carvalho, Delfos)

FILMES DE AGOSTO

4 de agosto - Quanto mais quente melhor (1959, 120 min.) – Billy Wilder. Esta lendária comédia de transformismo é sensacionalmente engraçada, fervilhando do início ao fim de situações geniais, gags elaboradas com inteligência, timing perfeito e interpretações excelentes. A trama: Dois músicos de jazz em uma maré de azar, Joe e Jerry testemunham o Massacre do Dia de São Valentim e fogem de Chicago junto com uma banda só de mulheres, cujo destino é Miami, disfarçados de “Josephine” e “Daphne”. Considerado pelo American Film Institute a melhor comédia de todos os tempos. (Schneider, 1001 filmes para ver antes de morrer)

11 de agosto - Um dia muito especial (1977, 110 min.) – Ettore Scola. No engraçado e humano Um dia muito especial – um tour de force de interpretação de Sophia Loren e Marcello Mastroianni – Antonietta e Gabriele nunca chegam a formar um casal, mas seu breve encontro ilumina a tela com uma espécie de radiação que você só consegue com grande atores que também são grandes estrelas. Um dia muito especial se passa no dia da visita oficial de Hitler a Roma, em 1938, quando ele foi recepcionado de forma gigantesca, histericamente entusiástica, por Mussolini, pelo corpo diplomático, por líderes industriais italianos (cujos nomes ainda são familiares) e por 90 por cento da população da cidade. (Vincent Canby, The New York Times)

18 de agosto - Mulheres à beira de um ataque de nervos (1988, 89 min.) – Pedro lmodóvar Os enganos e confusões, assim como as situações de vaudeville fazem com que o filme pareça uma comédia farsesca, mas o toque firme de Almodóvar está presente para fazer com que as coisas sejam diferentes, com sua exaltação do kitsch, as cores berrantes e as hipérboles. Para além de seu humor delirante, Mulheres... é um tocante monólogo feminino sobre a felicidade e a solidão. (Schneider, 1001 filmes para ver antes de morrer)

25 de agosto - A batalha de Argel (1965, 117 min.) – Gillo Pontecorvo. Gillo Pontecorvo trouxe seu intelecto, firmes crenças políticas e experiência pessoal a este thriller político, seminal e eletrizante, que reconta a sanguinolenta luta da Argélia por sua independência da França. A ação acontece entre 1954 e 1962 no estilo econômico e autêntico dos documentários dramáticos, com um elenco de atores não-profissionais, filmado e narrado como se fosse um cinejornal. Ganhador do prestigioso Leão de Ouro no Festival de Veneza, A batalha de Argel foi um dos filmes mais influentes produzidos na Itália na década de 60 e não perdeu um pingo de seu poder apaixonado. (Schneider, 1001 filmes para ver antes de morrer.)


FILMES DE SETEMBRO

1° de setembro – Lugar nenhum na África (2001, 141 min.) – Caroline Link. É raro encontrar um filme em que você imediatamente se deixa levar pela história. Lugar nenhum na África é um filme assim – ele conta a história de uma família judia-alemã que escapa dos nazistas e vai viver e trabalhar numa fazenda no Quênia. O estilo de Link permite que a narrativa flua como fluem as lembranças, e embora haja altos momentos dramáticos, eles não estancam a narrativa; ao contrário, fazem parte do ritmo da vida africana, e são unidos pela cena do sacrifício de um cordeiro e por uma cerimônia ritual que dura a noite toda e que nunca será esquecida pela garota da família. O filme ganhou cinco prêmios na Alemanha, incluindo melhor filme, e recebeu o Oscar de filme estrangeiro. (Roger Ebert, Chicago Sun Times)

8 de setembro – Terra de ninguém (2001, 98 min.) – Danis Tanovic. O filme de Tanovic é um retrato contundente de como os objetivos militares se perdem no próprio lugar do conflito (a ação se passa nos Bálcãs). (...) Os personagens são vítimas de um jogo de interesses muito grande, que é a combinação de impulsos religiosos, políticos, étnicos e principalmente nacionalistas. (...) É uma história sombria, mas que foi transformada em uma significativa experiência cinematográfica, partilhada ao longo de uma tenebrosa comédia de erros onde patriotas enfeitam suas baionetas simbólicas uns com os outros. (Schneider, 1001 filmes para ver antes de morrer.)

22 de setembro - Do outro lado (2007, 122 min) – Fatih Akin. O diretor Akin é alemão, filho de pais turcos, e as duas culturas estão em constante fusão em sua obra. Do outro lado toca na questão política, mas não é um filme político. Faz críticas sociais, embora não chegue a traçar um panorama cultural. Mais do que a engenhosa história, o que impressiona é o esmero com que o cineasta desenha seus personagens. (Susana Uchoa Itiberê)

29 de setembro – A sombra de uma dúvida (1943, 108 min.). Um dos melhores filmes de Hitchcock dos anos 40, com Joseph Cotten como o infame assassino da “Viúva Alegre”, que se refugia na casa de sua irmã numa cidadezinha da Califórnia. O filme não é apenas psicologicamente surpreendente, mas é também uma dissecação aguda da vida do americano médio. Será que o Tio Charlie é tudo que essa família merece, quando garotas adolescentes sonham com uma vida romântica e homens de meia-idade discutem sem parar crimes horrorosos? Engraçado, envolvente e admiravelmente fotografado por Joe Valentine, é uma jóia pequena, mas memorável. (GA, Time Out)


FILMES DE OUTUBRO

6 de outubro – O homem errado (1956, 105 min.). O homem errado é um dos filmes mais desoladores da carreira de Hitchcock. Fotografado em preto-e-branco, com um realismo quase documental, o filme é baseado em uma história real. Ele explora um dos temas eternos do diretor, o de um homem acusado por um crime que não cometeu. Hitchcock transmite de forma brilhante com que presteza os procedimentos de acusação e encarceramento conspiram para conferir uma sensação de culpabilidade mesmo aos inocentes. Em uma seqüência magistral, que faz uso da câmera subjetiva, vemos o personagem sofrer a humilhação de ser autuado, revistado e ter as impressões digitais tiradas, a tinta suja em suas mãos parecendo uma confirmação da sua culpa. (Schneider, 1001 filmes para ver antes de morrer.)

13 de outubro – Frenesi (1972, 116 min.) Hitchcock voltou à Inglaterra em 1972 para colaborar com o dramaturgo Anthony Shaffer em uma versão filmada do romance Goodbye Piccadilly, Farewell Leicester Square. Mais uma vez Londres é atormentada por um serial killer similar a Jack, o Estripador. Hitchcock obtém uma mistura exata de fascinação lasciva e horror genuíno ao mostrar a atitude inglesa diante dos assassinatos – algo que também é uma grande parte de sua própria obsessão. (Schneider, 1001 filmes para ver antes de morrer.)

20 de outubro – Terra estrangeira (1995, 100 min.) – Walter Salles. Em 1990, o recém-eleito presidente Fernando Collor de Mello congelou a poupança de todo o país. A perspectiva de um futuro sombrio levou centenas de brasileiros a procurar uma saída – o aeroporto. Os efeitos dessa política econômica predatória são o ponto de partida de Terra Estrangeira, filme de Walter Salles e Daniela Thomas. A trilha sonora de José Miguel Wisnick e a belíssima fotografia em preto-e-branco de Walter Carvalho contribuem para o clima noir que percorre o filme. (ZAZ)

27 de outubro – Exílios – Tony Gatlif. Zano e Naïma são jovens parisienses, ambos de origem argelina, ambos afastados de suas famílias e de suas raízes de modos diferentes, e ambos insatisfeitos com suas vidas. Uma manhã, Zano sugere que eles façam uma viagem para a Argélia – a pé. É uma longa viagem através da França e da Espanha para chegar a seu destino, mas a viagem que eles fazem dentro deles mesmos é ainda maior. No papel, haveria pouco para distinguir Exílios de centenas de road-movies semelhantes sobre personagens sem raízes em busca de significado para suas vidas, mas nas mãos de Tony Gatlif – um francês de origem cigana e argelina – a história um tanto esquemática de uma viagem em direção à auto-descoberta torna-se algo muito mais pessoal e vital. (DVD Times).

FILMES DE NOVEMBRO

3 de novembro - Aviso aos navegantes (1950, 113 min.) – Watson Macedo. Uma das melhores chanchadas carnavalescas do cinema brasileiro, Aviso aos navegantes reúne elenco, diretor e técnicos que foram os responsáveis pelo grande sucesso desse gênero de comédia produzida pela Atlântida nos anos 40/50. Mesmo influenciado pelas comédias americanas Transatlântico de luxo (Luxury Liner), EUA, 1944, de Richard Whort, e Romance em alto mar (Romance on the right seas, it's magic), EUA, 1948, de Michael Curtiz, Aviso aos navegantes tem um imenso sentido de brasilidade, como numa fala em que o personagem de Oscarito diz que está louco para voltar a morar em Madureira, passear em Niterói e sambar a noite inteira. E não é por menos que o Concerto número um de Tchaikovsky, interpretado com toda a pompa pelo pianista Bené Nunes, no final descamba para um tremendo samba rasgado. (Eduardo Giffoni Florido)

10 de novembro – À meia-noite levarei sua alma (1964, 81 min.) – José Mojica Marins. Este thriller gótico psico-sexual do autor brasileiro de horror José Mojica Marins representa a primeira aparição do protagonista do mal, Zé do Caixão. Ele é um coveiro que atormenta os residentes de uma pequena cidade. Zé está à procura de uma mulher que lhe dará um filho e preservará seu reino de terror. O estilo de Marins mistura surrealismo genuíno com elementos do horror clássico fantasmagórico e cenas de pura (e às vezes um tanto sádica) exploração. (Facets Multimedia)

17 de novembro - A carruagem de ouro (1952, 103 min.) – Jean Renoir. A trama superficialmente frívola e farsesca esconde uma obra madura e até mesmo melancólica sobre a relação tensa entre amor, arte e vida. François Truffaut o chamou de “o filme mais nobre e refinado de todos os tempos... ele é todo finesse e delicadeza, graça e frescor... um filme sobre o teatro dentro do teatro.” Antonio Vivaldi fornece a trilha e Claude, irmão de Renoir, é responsável pela bela fotografia colorida. (Schneider, 1001 filmes para ver antes de morrer)

24 de novembro – Barry Lyndon (1975, 183 min.) – Stanley Kubrick. Filmado por John Alcott usando apenas luz natural, quase sempre na “hora mágica” – o momento do dia em que a luz possui uma nebulosidade perfeita –, e fazendo uso inovador de luz de velas para os interiores, as imagens de Barry Lyndon possuem uma grande beleza, mas sua perfeição é conjugada com a turbulência interior dos personagens aparentemente congelados. Kubrick é muitas vezes acusado de não expressar emoções, mas a sua contenção aqui é ainda mais tocante. (Schneider, 1001 filmes para ver antes de morrer.)

FONTE:
http://www.tibagi.uepg.br/uepgnoticias/noticia.asp?Page=6058

Aproveitem...

Abraço!
Angelis

22 de outubro de 2008

Fotos do Festival!

Olá!

Confira em nosso álbum algumas fotos do Festival de Literatura e Cinema que foi realizado no Colégio Estadual Duque de Caxias em São Mateus do Sul.

Você poderá conferir alguns trabalhos e conhecer os alunos, professores e funcionários do colégio envolvidos no projeto Literatura e Cinema.

Aproveite e comente sobre nosso blog e a feira! Ficaremos contentes por compartilhar sua opinião conosco.

Abraço

Katrym

24 de agosto de 2008

Próximo tema do Ciclo de Discussões Literatura e Cinema na Formação Humana

Datas do projeto em 2008

LITERATURA E CINEMA: FORMAS NO TUMULTO DA EXPERIÊNCIA HUMANA

A leitura e a literatura são, via de regra, vistas como algo que concerne a um universo muito restrito de professores oriundos dos cursos de Letras e de leitores que, por diversos motivos, transformaram os livros em objetos amados e desejados. Mas, ao contrário do que o senso comum imagina e crê, estamos todos, o tempo todo, imersos na ficção. Que mais somos senão personagens de nossa própria história e da dos outros? Narramos e somos narrados o tempo todo, interpretamos e somos interpretados igualmente o tempo todo. E, claro, com direito às categorias de espaço e tempo, afinal tudo acontece em algum lugar e se relaciona de alguma forma com nosso presente, mas também com nosso passado e traz implicações para o nosso futuro. O que nos garante inúmeros flashbacks e, feliz ou infelizmente, nenhum flashforward, apenas projeções ou devaneios do que pode nos reservar o desconhecido depois. Nossa relação com o que convencionamos chamar de real é, portanto, um pouco mais complexa do que parece.

(Rosana A. Harmuch, coordenadora)